
O fim da tarde chega e, com ele, o choro. O bebê encolhe as perninhas, fica vermelho, e parece que nada do que você faz resolve.
Se isso está acontecendo na sua casa, saiba que você não está sozinha e que essa fase passa. Aqui você vai entender o que é a cólica do bebê, por que ela aparece e o que realmente ajuda a trazer conforto para ele e para você.
O que é a cólica do bebê
A cólica é uma das situações mais comuns dos primeiros meses de vida. Ela aparece como crises de choro prolongado, sem uma causa aparente, em um bebê que no restante do tempo está bem, mama e cresce.
Os médicos usam os critérios de Roma IV (um conjunto internacional de critérios para definir problemas funcionais, ou seja, desconfortos reais que não vêm de uma doença) para reconhecer a cólica do lactente. Por esses critérios, ela começa e termina nos primeiros meses, e o bebê segue se desenvolvendo bem.
A causa exata ainda não é totalmente conhecida. O que se sabe é que o sistema digestivo e o sistema nervoso do bebê estão amadurecendo, e esse processo pode trazer desconforto.
Como reconhecer a cólica no dia a dia
Alguns sinais costumam se repetir:
- Horário parecido: o choro tende a aparecer mais no fim da tarde e no começo da noite.
- Corpo contraído: pernas encolhidas sobre a barriga, punhos fechados, rosto vermelho.
- Choro intenso e difícil de acalmar, mesmo depois de mamar e trocar a fralda.
- Bebê bem entre as crises: fora desses momentos, ele mama, dorme, interage e ganha peso.
Esse último ponto é o mais importante. Um bebê que está bem nos intervalos e cresce direitinho é o retrato típico da cólica.
A boa notícia: segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a cólica em geral melhora por volta dos 3 a 4 meses. Ela tem começo, meio e fim.
Não é culpa da mãe
Muitas mães se perguntam o que fizeram de errado. A resposta é: nada.
A cólica não é sinal de leite fraco, de colo demais ou de falta de jeito. É uma fase do amadurecimento do bebê, e acontece em famílias de todo tipo.
Também não é sinal de que o bebê está sofrendo de algo grave. Um choro forte assusta, mas, quando o bebê está bem nos intervalos e o pediatra já avaliou, dá para atravessar essa fase com mais confiança.
Ouvir um choro que não passa mexe com qualquer pessoa. Sentir cansaço, frustração ou vontade de chorar junto é humano. Isso não diminui em nada o amor e o cuidado que você oferece.
O que ajuda a acalmar a cólica do bebê
Não existe uma técnica mágica, mas existem jeitos simples de trazer conforto. Vale testar e ver qual combina mais com o seu bebê.
Colo com a barriga apoiada
Deite o bebê de bruços sobre o seu antebraço, com a barriga apoiada e a cabeça bem sustentada na sua mão. Essa posição, com um leve aconchego na barriga, costuma acalmar muitos bebês. Faça isso só no colo, com ele acordado e sob o seu olhar.
Contato pele a pele também costuma ajudar: o calor e o cheiro de quem cuida trazem segurança. Um banho morno, com calma, pode relaxar o bebê no fim do dia.
Movimento ritmado
Balançar suavemente, caminhar pela casa, embalar no ritmo da sua respiração. O movimento lembra o que o bebê sentia na barriga e ajuda a organizar o corpo.
Ambiente calmo no fim da tarde
Diminuir luzes, sons e visitas nesse horário ajuda. Um bebê com muitos estímulos acumulados ao longo do dia tende a ter mais dificuldade para se acalmar.
Revezar quem cuida
Combine turnos com quem divide o cuidado. Quando você perceber que está no seu limite, passe o bebê para outra pessoa, ou coloque-o em segurança no berço e respire alguns minutos. Um adulto mais calmo acalma melhor.
Um olhar complementar
Algumas famílias também buscam a osteopatia pediátrica (uma abordagem manual, com toques suaves, que observa como o corpo do bebê se movimenta) como apoio para o conforto nessa fase. Ela não substitui o acompanhamento com o pediatra nem promete acabar com a cólica.
Evite oferecer chás, água ou remédios por conta própria. Para bebês em aleitamento materno exclusivo, a SBP e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam só o leite materno até os 6 meses, e qualquer medicação deve ser orientada pelo pediatra.
Quando procurar o pediatra
A cólica é comum e passa. Mas alguns sinais pedem avaliação, porque podem indicar outra causa para o choro:
- Febre.
- Vômitos persistentes.
- Sangue nas fezes.
- Bebê que não está ganhando peso ou que mama mal.
- Choro diferente do habitual, inconsolável, junto com prostração (bebê muito molinho, sem reação).
E, se você sentir que não está dando conta, procure o pediatra também. Cuidar de quem cuida faz parte do cuidado com o bebê.
Perguntas frequentes
A cólica tem a ver com o que a mãe come?
Na maioria dos casos, não é preciso cortar alimentos por conta própria. Em situações específicas, o pediatra pode investigar se há relação com algum alimento e orientar o que fazer.
Dar muito colo deixa o bebê mal-acostumado?
Não. Nos primeiros meses, colo é segurança e regulação. Atender o bebê com carinho ajuda o corpo dele a se acalmar.
Até quando dura a cólica?
Em geral, ela melhora por volta dos 3 a 4 meses. Cada bebê tem o seu ritmo, e o pediatra ajuda a acompanhar essa evolução.
Na Clínica Afago, com unidades em Uberlândia e em São Paulo e atendimento on-line, a cólica é acolhida com o olhar da pediatria integrativa, que cuida do bebê e da família juntos. Quando faz sentido, a osteopatia pediátrica entra como apoio para o conforto, sempre ao lado do acompanhamento pediátrico.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o pediatra.



